Entrevista a Krystel Leal - a fundadora do Nomadismo Digital Portugal

04/12/2017

Quer ser livre de horários e poder trabalhar onde quiser? A Krystel explica-lhe como!

A Krystel trabalha como nómada digital há quase 3 anos. Poder escolher onde quer viver, como e quando trabalhar - o que ela adora e explica como faz nesta entrevista ao Hostelsclub!

1 - Olá Krystel! Comecemos pelo básico, o que é um nómada digital?

Bratislava

Um nómada digital é um conceito que define, na sua essência, uma pessoa que trabalha de forma 100% remota e que, com isso, tem total independência local para realizar o seu trabalho. Depois o nomadismo digital pode ser vivido de formas completamente distintas consoante as pessoas: há quem leve a vertente "nómada" ao máximo, estando sempre a viajar e a mudar de cidade a cada mês ou até semana; há outros que escolhem uma cidade como "base" e viajavam quando lhes apetece; há outros que trabalham sim, de forma remota, mas que não viajam assim tanto, aproveitando a liberdade para estar mais tempo com a família e com os amigos...eu posiciono-me mais na vertente de ter uma base e ir viajando. Não viajo muito, mas sei que sempre que me apetecer viajar, posso fazê-lo, pois o meu trabalho vai comigo e não preciso de esperar pelas minhas férias ou não preciso de pedir dias ao meu empregador.
  • 2 - E porque é que decidiste seguir esse caminho profissional?
Cataratas do Niagara
Eu fui estudar para Paris com 19 anos e na altura a minha ideia de projeto profissional era muito "a tradicional": acabar o curso, fazer um bom estágio e ter um bom trabalho. Contudo, em Paris, sempre que tinha tempo e conseguia pôr dinheiro de lado, aproveitava para viajar, mesmo que fosse para cidades na França. E percebi que planear a viagem e viajar eram dois dos momentos mais felizes para mim. Depois de ter feito estágios profissionais, e de ter tido vários tipos de trabalhos part-time para me sustentar, percebi que: 1) adorava a área que tinha escolhido seguir: comunicação; 2) não gostava de me sentir pressionada para acordar a determinada hora e estar das 9h às 18h num escritório para realizar tarefas que por vezes demorava menos para as fazer ou poderia fazê-las de forma mais eficaz se pudesse escolher os meus horários. Pensando nisso, e sendo que sempre fui muito "geek" e apaixonada pela internet e tecnologia no geral, comecei a mergulhar em projetos de americanos e brasileiros que já trabalhavam de forma remota e muitos deles em marketing digital. Paralelamente aos meus estudos e trabalho, abdiquei de todos os meus tempos livres para me dedicar a fazer cursos online sobre marketing e branding online e a ler muito sobre trabalho remoto. Comecei a dar os primeiros passos enquanto freelancer em plataformas como Upwork, que me permitiu sobretudo perceber os erros que estava a cometer. À medida que ia aprender e melhorando o meu posicionamento, fui-me especializando cada vez mais numa área que adoro - marketing de conteúdo - e comecei a desenvolver o meu trabalho enquanto freelancer. Demorei mais ou menos 1 ano para passar de trabalhos pontuais/part-time a uma atividade full-time. Quando isso aconteceu, organizei a minha vida em Paris, entreguei as chaves do meu apartamento e fui viver para a Alemanha, onde o meu namorado (marido agora) estava a acabar de tirar o mestrado dele. Com isso, viajavamos sempre que podiamos, tendo passado por Amesterdão, Barcelona, Berlim, Bratislava, Budapeste,...
Hoje vivemos em Palo Alto, na Califórnia, onde eu mantenho o meu trabalho enquanto freelancer 100% remoto, trabalhando 100% em língua portuguesa para clientes portugueses e brasileiros.
  • 3 - Quais são as maiores dificuldades desta escolha profissional? Principalmente para quem está a começar?
Londres

As principais dificuldades para quem está a começar é precisamente essa: começar. Trabalhar remotamente, sobretudo enquanto freelancer/atividade própria, é começar TUDO do zero. Podemos ter mais ou menos bagagem em relação ao que fizemos anteriormente, mas é sempre um começo do zero. É preciso saber o que queremos fazer, no que nos queremos especializar, de que forma é que nos devemos vender e apresentar, saber controlar aquilo que somos pessoalmente para destacar mais e melhor aquilo que queremos ser profissionalmente, temos que entender como é que somos profissionalmente (trabalhar num escritório NÃO É nada como trabalhar em casa/remotamente. O profissional em nome próprio precisa de saber quais são os horários em que é mais produtivo, como é que se deve organizar para ser produtivo, não tem ninguém para lhe dizer que vai trabalhar das 9 às 18h)....não é fácil começar e é essa dificuldade em entender tudo o que envolve trabalhar que leva a que muitos dos que querem trabalhar remotamente falhem. Eu acredito que qualquer pessoa pode trabalhar remotamente se assim o desejar, mas precisa de ter uma motivação e força de vontade muito grande para passar por essa fase inicial em que tudo parece difícil.

  • 4 - Dizes numa das tuas respostas anteriores que cometeste alguns erros no início do teu percurso, gostarias de partilhar quais?
Palo Alto

Um dos erros foi achar que podia fazer e oferecer todo o tipo de serviços. Eu trabalho com Marketing Digital e apesar de ter conhecimentos em diferentes áreas do Marketing, no início achava que podia aplicá-las todas no meu trabalho. No início apresentava um leque gigantesco de serviços baseado no que tinha aprendido na escola, faculdade, estágios e trabalhos que fui tendo. É um erro querer fazer tudo e "um faz tudo" terá muita dificuldade em construir uma carreira sólida enquanto freelancer. Ao começar a dar os primeiros passos em plataformas remotas, fui percebendo de todos esses serviços que apresentava o que é que gostava mais de saber/o que é que havia uma procura sólida na qual me podia concentrar/e que tipo de conhecimentos precisava de adquirir e aprender. Hoje estou concentrada sobretudo no que chamamos de Marketing de Conteúdo, concentrando-me sobretudo em estratégias de geração de tráfego através de criação de conteúdo.

  • 5 - Trabalhar de forma autónoma não se torna um pouco solitário? Tendo em conta que estás a viver no estrangeiro onde não conhecias inicialmente muita gente, como é que te adaptaste e fizeste amigos?
Hollywood

Sim, PODE ser muito solitário, mas é preciso aprender novas técnicas de socialização. Uma das primeiras coisas que fiz, ainda quando vivia em Paris e comecei a trabalhar como freelancer, era trabalhar em espaços de cowork. Os espaços de cowork são um excelente sítio de conviver: e mesmo que não faças amigos, estás num ambiente social, o que é bom. Para mim a melhor forma de conhecer pessoas é fazer muito networking, sobretudo indo a meetups e conferências. Esses eventos, cada vez mais comuns, permitem-te não só aprender novas coisas, permite-te conhecer pessoas que têm pelo menos um interesse em comum contigo (a temática da meetup/evento) e permite-te também divulgar o teu trabalho e posicionares-te enquanto profissional. Aqui na Califórnia apostei muito nessa vertente. Comecei logo desde o início a ir a eventos e conferências e meetups e começar a falar com a pessoa do lado. Também procurei grupos de portugueses/língua portuguesa para me integrar, sobretudo para saber como funcionam as coisas aqui. Foi muito através desses grupos de pessoas de língua portuguesa (aqui na área de Silicon Valley há muitos brasileiros) que consegui fazer amizades e até encontrar clientes! O truque é mesmo "fazeres-te à vida" e não teres medo de te mostrar.

  • 6 - Achas que é possível constituir família (com todas as responsabilidades que isso acarreta) e ser nómada digital? Queres continuar a ser nómada digital a longo prazo?
Google

Eu acredito sinceramente que sim! Mas é importante perceber que há vários tipos de nómadas digitais: eu por exemplo, gosto de ter uma base. Neste momento vivo na Califórnia, já vivi na Alemanha e em França. Depois há aqueles que estão sempre a viajar, sempre a mudar de sítio. Ou seja, ser nómada digital não significa obrigatoriamente andar sempre a viajar, é somento um dos tipos. Nómada digital é simplesmente alguém que, por trabalhar à distância, através de um computador, tem a liberdade de o poder fazer onde quiser e quando quiser. Por poder controlar os seus horários e a que horas quer trabalhar, isso permite aos nómadas digitais que sejam pais, poderem passar mais tempo com eles! Poderem ir buscá-los à escola todos os dias, não ter que contratar uma ama… E como sou que faço o meu próprio horário, só depende de mim fazer render aquele tempo ao máximo para poder passar tempo com a minha família! Gostaria de enfatizar que o importante no conceito de nómada digital, mais do que a parte do ‘nómada’, o importante é o ‘digital’, que me permite trabalhar à distância, sem ter que estar num escritório das 9 às 5 e isso dá-me liberdade que um trabalho comum não dá. Relativamente à segunda parte da pergunta, se quero continuar a ser nómada digital a longo prazo, a resposta é, sem dúvida que sim! Já tive várias propostas de trabalho em empresas bastante aliciantes e em cargos bastante interessantes e que decliquei porque, como já disse anteriormente, eu gosto de ter a liberdade de controlar o meu trabalho! Ser nómada digital, permitiu-me criar os meus projetos do zero, construir um networking inacreditável que provavelmente numa empresa não teria porque quando se trabalha assim está-se confinado àquele círculo de pessoas e quando se é freelancer, tu vais à procura do teu próprio networking e tu crias as tuas experiências e oportunidades! Nunca digo nunca, se amanhã a empresa dos meus sonhos me propuser o emprego dos meus sonhos talvez tenha que pensar… mas gosto do estilo de vida que tenho e pretendo mantê-lo.

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