A Ana e o João conheceram-se há 7 anos em Coimbra, onde ambos se licenciaram, e são um casal deste então. Começaram a mais longa viagem das suas vidas (até agora!) em Janeiro de 2017 no Nepal e acabaram em Junho na Malásia. Pelo caminho viajaram  pela Índia, Tailândia, Laos, Vietnam e Cambodja. Escreveram, fotagrafaram e gravaram estes 6 meses de aventuras no blog Viagem de 100 nomes que resumem só para nós, nesta entrevista :) 

1 - Como é que surgiu a ideia de fazer esta viagem? Viajar estilo "backpacker" era algo que já queriam fazer individualmente antes de serem um casal ou surgiu depois? 

 Tailândia

O gosto pelas viagens surge antes de nos conhecermos,  assim como qualquer jovem pronto para descobrir o mundo. Mas, esta ideia, menos utópica e mais consistente,  surgiu já connosco a funcionar como um só. Sabíamos que para realizar este sonho teríamos que ter muita organização e fazer algumas mudanças na nossa rotina. E isso foi bem mais fácil fazer e pensar estando os dois juntos, já que nos motivámos um ao outro.

2 - Que mudanças foram essas e que preparação acham ser necessária para alguém que queira passar alguns meses a viajar em países totalmente diferentes do seu?

Joao

Nós estávamos a acabar o mestrado quando tomámos a decisão. Durante essa altura fomos trabalhadores estudantes para conseguir aglomerar algum dinheiro. Houve outras actividades que ajudaram: fomos vindimar para França durante um mês e explorámos outro nosso projecto de venda de rissóis. Basicamente foi um ano a juntar euros. Depois é coragem. Saber que não é impossível, mesmo para aqueles que têm uma vida estabilizada. A Organização antes e durante a viagem entra aqui como um factor importante, principalmente para aqueles que o querem fazer com poucos recursos, tal como nós o fizemos. O planeamento consciente da viagem é essencial.

3 - E o blog, como é que surgiu?

Malásia

A ideia do blog surgiu na preparação da viagem. Tendo em conta aquilo que estudamos, eu, Ana, jornalismo e multimédia, e o João, ciências da comunicação, seria impensável seguir numa viagem desta envergadura sem aproveitar as nossas competências profissionais. Por sermos também desta área quisemos fazer alguma coisa muito profissional para usá-la em relações futuras. Assim surgiu o Viagens 100 Nomes com fotografia, vídeo e um programa de rádio acompanhados sempre por uma escrita crítica e poética. Além dos métodos que utilizamos, uma das grandes diferenças nos nossos relatos é a forma como nos tentamos demarcar da ideia de que tudo é maravilhoso e que não existem problemas quando um casal se encontra a viajar pelo outro lado do mundo.
  • 4 - Fotografia e escrita é relativamente comum em blogs de viagens mas não rádio! Como é que desenvolveram esse programa de rádio enquanto viajavam e em que é que consistiu?

Ana

A rádio é uma grande paixão do João, que o fez como profissão na sua terra Natal, em Grândola. Daí surgiu esta ideia de andar com um gravador de áudio nos nossos bolsos, para que uma vez por semana pudéssemos fazer uma rubrica de 15 minutos sobre a nossa viagem. O programa era sobre a nossa vida no dia a dia. Contávamos as nossas histórias e as nossas aventuras. Dentro das categorias que tínhamos (e temos), fotografia, escrita e vídeo, a rádio seria o que mais se enquadrava como relato mais pormenorizado.
  • 5 - Viajar com o namorado/ namorada pode ser a melhor coisa do mundo mas pode igualmente ser mau para a relação (inclusive há namoros que acabam), que problemas é que podem surgir e qual é a vossa estratégia para lidar com eles? Que conselhos dão aos casais que estão a planear viajar juntos durante vários meses?

Camboja

Há a teoria que os casais , ou integrantes em qualquer tipo de outras relações, só se conhecem realmente depois de viajarem juntos. Depois desta viagem, somos obrigados a concordar. Numa maratona destas e fazendo da forma como o fizemos, as emoções estão à flor da pele e pode haver muitos desacordos entre nós. Na verdade não houve nenhuma estratégia específica e o único conselho que podemos dar é para que haja paciência. Nós tentámos sempre mantermo-nos unidos. E hoje estamos mais do que nunca.
  • 6 - Qual a vossa opinião sobre hostels? Costumam ficar em hostels nas vossas viagens? Acham que ainda existe aquele preconceito de que hostels são sinónimo de  falta de higiene e/ ou segurança?

LiveitUp Bangkok Hostel

Sim, nas vezes que não ficámos com famílias locais, dormimos algumas vezes em hostels. Hoje em dia acho que já não há esse preconceito, até porque se encontra hostels bem melhores do que alguns hotéis. A diferença é que o espírito num hostel é mais comunitário e normalmente mais jovem.
  • 7 - Ficar doente durante uma viagem é o pesadelo de muita gente e isso aconteceu-vos a vocês, gostarias de partilhar connosco como é que lidaram com isso? Ficar doente foi o pior susto que vos aconteceu ou viveram outras peripécias?

Portugal

Nunca tivemos problemas de violência, assaltos, nem inesperados com o dinheiro. As coisas correram todas muito bem. Nós também fizemos sempre questão de ser muito cuidadosos com os nossos pertences. 
Houve uma vez que entrámos um pouco em pânico, quando nos perdemos um do outro por mais de duas horas. Não tínhamos telemóveis nem acesso a internet. Não foi fácil, mas lá nos encontrámos.
  • Quanto à situação da doença, ficar com a febre do dengue, ou qualquer outra doença tropical, pode ser muito chato, principalmente quando hesitamos em ir ao médico, porque sabemos que vai ser muito dinheiro. Acabamos por estar muito ansiosos, à espera que seja uma gripe e que passe ao fim de uns dias. Mas a verdade é que o João estava com febres muito altas e decidimos ir ao médico. Descobrimos que era dengue, mas que não era muito grave. Foi só ir para casa e esperar que passasse. Não foram dias agradáveis na viagem, mas pode acontecer a qualquer um. E nunca entrámos em pânico. Sabíamos que havia tudo de correr bem.